Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Fabricante brasileira escapa de tarifa de 50% com a habilidade de um caça stealth. Já os outros setores… boa sorte.

BRASÍLIA – Enquanto 700 produtos brasileiros suaram a camisa (e o PIB) para escapar da taxa de 50% imposta por Donald Trump, a Embraer simplesmente voou por cima do problema — e sem pagar excesso de bagagem. Sim, caros passageiros da economia brasileira, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo foi incluída na lista de exceções do tarifaço, junto com motores, peças e componentes da aviação. Aparentemente, até o protecionismo tem suas milhas de fidelidade.

Em nota, a Embraer celebrou o feito com a sobriedade de quem sabe que quase levou um míssil no faturamento: “Continuamos acreditando e defendendo firmemente o retorno à regra de tarifa zero para a indústria aeroespacial global.” Traduzindo: obrigado, Tio Sam, por não arrebentar nossos negócios com sua bazuca diplomática.

Vale lembrar que, na semana passada, a empresa alertou que cada jato vendido aos EUA teria um custo adicional de R$ 50 milhões com a nova tarifa. Uma verdadeira turbulência fiscal, que poderia inviabilizar US$ 20 bilhões em negócios até 2030. Mas agora, livre da sobretaxa, a Embraer deve voar serena, enquanto outros setores da economia estão em modo “queda livre”.

As ações da empresa, claro, decolaram como foguete da SpaceX: alta de 10,93% só nesta quarta-feira (30). Analistas dizem que foi o maior voo sem escalas desde que a Embraer parou de fabricar ônibus com asas.

A AMCHAM Brasil, por sua vez, fez os cálculos com a frieza de quem tem MBA em Excel: os produtos excluídos da taxação representam US$ 18,4 bilhões — quase metade do que exportamos para os EUA. O restante? Bem, que rezem para São Livre Mercado.

Enquanto isso, no mundo paralelo da diplomacia de Donald Trump, o Brasil virou uma ameaça “extraordinária” à segurança nacional americana, digna de dividir o pódio com Cuba, Irã e Venezuela. Tudo isso, claro, porque alguém no STF resolveu não mandar “zap” para pedir desculpas a Bolsonaro. O texto oficial dos EUA chega a acusar Alexandre de Moraes de tudo, menos de ser backing vocal da Anitta.

O resultado? Um tarifaço de 50% sobre boa parte dos produtos brasileiros, menos os que têm turbina, botão de ejetar e o logo da Embraer na fuselagem. E assim, em meio ao caos alfandegário e ao colapso do multilateralismo, a Embraer, com sua tradicional elegância aeronáutica, simplesmente passou voando.

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