“Punhal Verde e Amarelo” vira novela no STF: defesa de Bolsonaro pede absolvição e diz que não há prova nem de golpe, nem de punhal, nem de verde e amarelo
O enredo da chamada “trama golpista” ganhou mais um capítulo digno de série política com roteiro de humor involuntário. Nesta quarta-feira (13), a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro correu contra o relógio — literalmente até 23h59 — para entregar ao ministro Alexandre de Moraes suas alegações finais, pedindo absolvição total do ex-chefe do Planalto.
Segundo os advogados, não há uma “única prova” que ligue Bolsonaro ao suposto plano de nome épico: Punhal Verde e Amarelo — um título que, convenhamos, parece mais filme da Sessão da Tarde do que estratégia para derrubar um governo. E ainda deixaram claro que o ex-presidente não tem nada a ver com os tais Kids Pretos, outro codinome que daria facilmente nome a uma boy band de rock alternativo.
O processo envolve pesos-pesados do antigo governo: Ramagem, Garnier, Anderson Torres, Heleno, Braga Netto, Paulo Sérgio e até o sempre presente Mauro Cid — este último, na condição de delator, já entregou sua versão no mês passado. Aliás, a defesa fez questão de desferir indiretas certeiras ao tenente-coronel, chamando sua delação de “manipulada” e “imprestável”, insinuando que ele teria jogado Bolsonaro debaixo do trio elétrico para se salvar.
Para os advogados, o julgamento já começa com spoiler: “Não querem julgamento, querem saber só quantos anos de pena vão dar.” Traduzindo: eles acham que a temporada já está roteirizada e o final todo mundo já sabe.
Agora, Moraes deve liberar o caso para julgamento, e caberá ao ministro Cristiano Zanin marcar a data. A previsão é que a grande final vá ao ar em setembro, com direito a plateia formada por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
No cardápio de acusações, nada modesto: organização criminosa armada, golpe de Estado, dano qualificado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e deterioração de patrimônio tombado. O combo pode render mais de 30 anos de prisão — ou, como diriam os roteiristas de plantão, “três temporadas fechadinhas e sem chance de spin-off”.
