Lula celebra STF, enterra a trama golpista e avisa: 2026 não será ano de fake news à vontade
Na abertura do Judiciário, presidente elogiou condenações do 8 de Janeiro, prometeu rigor contra ricos do crime e lembrou que democracia não aceita golpe, nem tutorial

Na cerimônia que abriu oficialmente os trabalhos do Judiciário em 2026, nesta segunda-feira (2), no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso que misturou comemoração, aviso prévio e aquele clássico “eu avisei”.
Lula exaltou o julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro, militares e aliados políticos pela tentativa de golpe de Estado e declarou que começa o ano com a fé restaurada — não em milagres, mas nas instituições. Segundo ele, “as instituições cumpriram seu papel”, o que, em bom português, significa que a Constituição sobreviveu a mais uma temporada de ataques.
“O Brasil mostrou que é maior do que golpistas e traidores da pátria”, afirmou Lula, numa fala que soou menos como discurso e mais como ata de encerramento de um capítulo constrangedor da história recente. O presidente também lembrou que o país enfrentou ataques externos em 2025 e respondeu com “altivez”, direito internacional e instituições funcionando — uma combinação que, aparentemente, ainda causa espanto.
Trama golpista: final feliz (para a democracia)
Lula fez questão de destacar que o Judiciário não buscou protagonismo, apenas fez o básico: aplicou a lei. Segundo ele, ministros do STF enfrentaram pressões, ameaças e ataques — tudo isso para manter a Constituição de pé, o que virou atividade de risco nos últimos anos.
Para o presidente, a condenação dos envolvidos na trama golpista foi um marco histórico e deixou um recado simples e direto: quem tentar derrubar a democracia novamente não ganhará anistia, documentário nem live — ganhará sentença.
Fake news, eleições e tecnologia fora de controle
De olho em 2026, Lula alertou para os perigos da tecnologia usada do jeito errado. Disparos em massa de fake news, algoritmos usados como armas políticas, influenciadores contratados para atacar adversários e até inteligência artificial criando realidades paralelas entraram na lista de preocupações.
O presidente defendeu atuação firme do Tribunal Superior Eleitoral, deixando claro que eleição não é laboratório de experimento digital nem jogo de videogame sem regras.
Feminicídio, pacto nacional e recado direto aos homens
Outro ponto do discurso foi o anúncio do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, previsto para ser formalizado nesta quarta-feira (4). Lula afirmou que o acordo precisa envolver toda a sociedade — especialmente os homens — e lembrou, sem rodeios, que ninguém é dono de ninguém.
Segundo ele, além de punir agressores, é preciso educar meninos e conscientizar homens de que violência contra mulheres não tem justificativa possível, nem no mundo real nem no digital.
Crime organizado no “andar de cima”
Por fim, Lula destacou a operação Polícia Federal Carbono Oculto, que mirou esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis e o mercado financeiro. O presidente fez questão de frisar que o crime organizado não mora só na periferia — muitas vezes vive em endereços nobres e tem contas bancárias respeitáveis.
“A Polícia Federal está chegando aos mandantes”, afirmou Lula, avisando que tamanho de patrimônio e CEP não garantem imunidade.
No resumo da ópera: o presidente celebrou condenações, defendeu instituições, prometeu rigor contra golpistas, criminosos ricos e fake news, e deixou claro que, em 2026, a democracia brasileira pretende continuar viva — apesar de quem ainda insiste em testá-la.
