Inflação dá uma “desaceleradinha”, mercado comemora e Selic continua fazendo cosplay de torre de controle
Previsão de inflação cai de 5,09% para 5,07% e o Banco Central já pensa em escrever sua décima carta de desculpas ao Ministério da Fazenda. Enquanto isso, o Brasil segue pagando juros de cartão de crédito como se fosse parcelar uma Ferrari.
BRASÍLIA – A inflação no Brasil deu mais um micro-passo para trás e o mercado financeiro, sempre otimista com migalhas, comemorou a redução de 0,02 ponto percentual na estimativa do IPCA para 2025. Agora, a previsão é de 5,07%. Uma queda que, para o consumidor, se traduz na prática em… nada. Mas serve para alimentar o sonho coletivo de que “agora vai”.
É a décima vez seguida que a previsão cai. O problema é que ela continua acima do teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%. Ou seja, a inflação está “menos estourada”, mas ainda fora da dieta.
Com esse “pequeno detalhe”, o presidente do Banco Central continua com sua caneta tinteiro afiada, pronto para escrever mais uma carta aberta ao Ministério da Fazenda explicando, com a elegância de quem queimou o arroz: “não foi minha culpa, juro por Deus”.
E por falar em juro, a Selic continua firme e forte nos 15% ao ano, o que faz do Brasil o país com um dos juros reais mais altos do planeta — porque nós gostamos de emoções fortes até na fatura do cartão.
Mas calma, o Copom promete que, se os astros se alinharem, talvez em 2028 a taxa chegue aos modestos 10% ao ano. Aí sim, o crédito vai deixar de ser um esporte radical.
Enquanto isso, o PIB segue naquele passo de tartaruga motivada: 2,23% de crescimento estimado para este ano. Nada explosivo, mas o suficiente para o governo dizer que a economia está “resiliente”. A agropecuária, claro, continua sendo a amiga que salva o grupo no trabalho da escola, puxando o PIB sozinha enquanto o resto só assiste.
Já o dólar? Estável como coração de ex-namorado: previsão de R$ 5,60 até dezembro e R$ 5,70 em 2026. Ou seja, se você estava pensando em visitar a Disney, é melhor investir em um parque aquático local e usar a imaginação.
No fim das contas, o Brasil continua firme na sua vocação de país que comemora redução de centésimos e previsão que ainda está acima da meta. Mas não se preocupe: o importante é manter o foco, a fé e a planilha atualizada.
