Eduardo Bolsonaro e a viagem do século: O TCU quer saber quem pagou o check-in
Brasília – O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que é hora de a Câmara dos Deputados conferir se o passaporte de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) veio com um “vale estadia” bancado pelo bolso do contribuinte. O órgão desconfia que a passagem pelos Estados Unidos do deputado possa ter sido custeada, direta ou indiretamente, com dinheiro público – o que, convenhamos, não é exatamente uma novidade na fauna política nacional, mas sempre rende um bom reality show institucional.
A recomendação veio após uma representação de Guilherme Boulos (PSOL-SP), que sugeriu que Eduardo teria usado a viagem para fazer articulações contra a soberania nacional. Em bom português: acusou o “03” de bater papo internacional para falar mal de casa, algo que, segundo o Código Penal, pode render até oito anos de hospedagem gratuita… mas no sistema penitenciário.
Por unanimidade, o TCU declarou que não pode julgar o mérito criminal — afinal, separação dos Poderes é coisa séria —, mas tratou de encaminhar a bola para a Câmara dos Deputados e o Ministério Público Federal, como quem diz: “A gente não pode apitar, mas vocês podem correr atrás”.
Entre as descobertas mais saborosas, o TCU anotou que Eduardo só justificou uma das cinco faltas às sessões de março. As outras quatro ficaram sem desconto no contracheque, mas como o prejuízo não bateu a “modesta” marca de R$ 120 mil — piso para o TCU abrir investigações — o caso ficou no limbo burocrático. Parece que, no Brasil, infração abaixo desse valor é praticamente um cupom de desconto parlamentar.
Caso a Câmara realmente resolva investigar, será o segundo processo contra a viagem do deputado aos EUA. O primeiro já está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, que vê o passeio como um roteiro mais próximo de “Missão Impossível” do que de intercâmbio cultural.
Enquanto isso, o país aguarda o desfecho: será que a fatura do hotel veio com o brasão da República ou com o nome de um cartão particular? E, se veio com cashback, para quem foi?
