Rapper Oruam vira réu por tentativa de homicídio com pedras e vira símbolo nacional do “protesto medieval”
Com pedras de até 4,85 kg arremessadas de uma varanda, MC é acusado de tentativa de homicídio contra a polícia. Justiça vê risco à paz pública, ao telhado dos agentes e ao bom senso geral
RIO DE JANEIRO — O rapper Oruam, que já rimava contra o sistema, agora vai ter que rimar com “réu”. A Justiça do Rio de Janeiro aceitou nesta quarta-feira (30) a denúncia do Ministério Público e transformou Mauro Davi dos Santos Nepomuceno — nome de batismo do artista — em réu por tentativa de homicídio qualificado. O motivo? Arremesso de pedras, estilo Game of Thrones, contra a polícia durante uma operação em sua casa, no bairro do Joá, zona oeste do Rio.
Sim, estamos em 2025 e o Brasil tem um processo judicial que gira em torno de um ataque com pedras de até 4,85 kg lançadas de uma altura de 4,5 metros. Segundo a acusação, os projéteis passaram longe da inspiração artística e chegaram perto de virar casos de traumatismo craniano em tempo real.
Oruam, que já estava preso desde o dia 22 após se entregar voluntariamente — e com direito a comunicado nas redes sociais, porque até a prisão hoje precisa de engajamento —, também responde por tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, ameaça e lesão corporal. Ah, e por afirmar que é filho de Marcinho VP, o que, convenhamos, não ajuda muito a melhorar o currículo criminal.
Do palco ao parapeito: a nova fase de Oruam
A Justiça não só aceitou a denúncia, como usou a sentença para fazer um editorial sobre o perigo das más influências. A juíza Tula Correa de Mello destacou que o comportamento do funkeiro “incita a inversão de valores” e dá a entender que “atirar pedras em policiais é a forma mais adequada de lidar com a autoridade”. Para quem achava que música influenciava só o gosto por batidas, aí está uma nova interpretação de “pedrada sonora”.
700 anos de retrocesso em uma pedrada só
Enquanto o país debate inteligência artificial, chips cerebrais e regulação de redes, Oruam e amigos redescobrem o poder ancestral da arma mais democrática da história da humanidade: a pedra. O episódio poderia facilmente ser encenado em um documentário da Idade Média, não fosse o fato de que o “castelo” era no Joá e o cavalo da vez era uma viatura da PM.
Prisão preventiva, paz pública e influências negativas
Para a magistrada, Oruam é uma “referência para jovens” — o que, diga-se de passagem, pode explicar muita coisa errada na juventude. A juíza defendeu medidas firmes e extremas como forma de preservar a paz pública, que aparentemente está em risco entre uma live e outra do artista.
Enquanto aguarda julgamento, o funkeiro está de volta ao Presídio Bangu 3, onde certamente não faltará tempo para compor novos versos — agora com mais veracidade penal e menos metáforas poéticas.
🎤 Oruam pode até não ter vencido no Spotify, mas agora tem um lugar garantido na história jurídica brasileira como o primeiro MC acusado de tentativa de homicídio… com pedras. Literalmente.
