Diplomado na Arte da Falsificação: Homem é condenado por diploma fake e se forma em “Mico Federal”
Juiz reprovou o aluno por tentativa criativa de burlar o MEC. Nota final: dois anos, sete meses e quinze dias no curso intensivo do semiaberto
Porto Alegre viveu mais um daqueles episódios dignos de um episódio de “Casseta & Planeta: Justiça Federal”. Um cidadão aplicado — mas não exatamente nos estudos — foi condenado pela 11ª Vara Federal da capital gaúcha por apresentar um diploma falso ao Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul (CRA/RS). A ideia era simples: virar administrador sem nunca ter precisado administrar nem o tempo na sala de aula.
A audácia começou em 2018, quando o rapaz, armado de papel, coragem e tinta de impressora, compareceu ao CRA/RS exigindo seu registro profissional. Só que, cinco anos depois, em 2023, o conselho resolveu fazer o ENEM dos diplomas e descobriu que o papel apresentado tinha tanto valor quanto um cupom vencido de padaria.
A suposta escola responsável pelo diploma negou conhecer o ilustre estudante, o que é compreensível, já que ele nunca passou nem na calçada da instituição. Em novembro do mesmo ano, o CRA/RS cancelou o registro do aluno mais fantasma da história da administração.
Na defesa, o réu tentou convencer o juiz de que o crime era “impossível” – o que, convenhamos, é exatamente o que o diploma dizia sobre ele conseguir ser administrador. Também reclamou da falta de perícia grafotécnica, como se o problema fosse a caligrafia e não o fato de que o diploma foi impresso em fonte Comic Sans.
Mas o juiz Roberto Schaan Ferreira não caiu no conto do “meu diploma sumiu no MEC”. Disse que o documento lesava a “fé pública”, provavelmente em referência à fé de que ninguém seria tão cara de pau. Resultado: dois anos, sete meses e quinze dias de reclusão, além de uma multa que nem o boleto da pós-graduação fake cobriria. E como o réu já era reincidente, nada de trocar a cana por serviços comunitários.
Ainda cabe recurso, mas uma coisa é certa: o único título que ele ganhou foi o de “Administrador de Problemas com a Justiça”.
