Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Com IPI zero, R$ 13 mil de desconto e muito otimismo no porta-malas, programa do governo impulsiona a venda de carros populares que agora são sustentáveis, econômicos e (quase) ecológicos


Brasileiro adora uma promoção — e quando ela vem com quatro rodas e motor 1.0, o coração bate mais forte. As vendas de veículos populares incluídos no recém-lançado Programa Carro Sustentável dispararam 11,35% em julho, comparadas ao mesmo mês do ano passado. Se o comparativo for com junho, o salto é de 13%, o que mostra que nada move o mercado como um bom desconto e um pouco de “sustentabilidade de showroom”.

A Fenabrave, entidade que acompanha de perto o vai e vem nas concessionárias, levou os números diretamente ao ministro da animação automotiva, também conhecido como Geraldo Alckmin. O vice-presidente, visivelmente empolgado (na medida do possível para alguém que raramente altera o tom de voz), comemorou: “Isso é emprego na indústria e no comércio.” E no WhatsApp do vendedor de carro, que agora tem até fila para test-drive.

A mágica por trás dessa arrancada? Zerar o IPI, aquele imposto que só lembramos que existe quando ele desaparece. Com isso, modelos como Onix, Kwid, Polo, HB20, Fiat Mobi e Argo ganharam até R$ 13 mil de desconto, o que já dá pra comprar quase meio jogo de pneus — ou encher o tanque duas vezes, dependendo da cotação da gasolina.

Mas nem tudo é festa no estacionamento. Para garantir o IPI zero, o carro precisa ser praticamente um super-herói ecológico: emitir menos de 83 gramas de CO₂ por km, conter mais de 80% de materiais recicláveis, ser feito no Brasil (com direito a solda e tinta nacional) e ser compacto — ou seja, nada de SUV parrudo com cara de apocalipse zumbi.

E se o seu carro dos sonhos não se enquadrar? Sem problema. O governo já preparou um novo sistema de cálculo para o imposto, com regras tão complexas quanto horóscopo chinês: eficiência energética, potência, tecnologia, segurança e até reciclabilidade serão avaliados. É quase um Enem automotivo.

No fim, o Brasil acelera rumo a uma frota mais limpa, mais barata e — com sorte — menos presa no trânsito. E se sobrar R$ 13 mil, quem sabe ainda dá pra comprar aquele ar-condicionado digital que você sempre quis. Porque sustentabilidade sim, mas com conforto, por favor.

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