Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Em vez de maracatu atômico, a Sapucaí terá metalúrgico místico, mulungu mágico e alma penada no desfile que promete ser mais vermelho que a bandeira do PT


A folia de 2026 promete ser, literalmente, de tirar o fígado do Papa-Figo. A escola de samba Acadêmicos de Niterói, recém-promovida à elite do carnaval carioca, decidiu chegar chegando: vai estrear no Grupo Especial com um samba-enredo que presta tributo ao homem, ao mito, à entidade política que sobrevive a escândalos, pandemias e até à crise do tomate — Luiz Inácio Lula da Silva.

Sob o título poético e quase xamânico “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o enredo resgata a epopeia nordestina do ex-metalúrgico mais famoso da história nacional, cuja trajetória vai do agreste de Garanhuns ao palácio da Alvorada — com direito a calango no quintal, pau de arara com Wi-Fi imaginário e sindicato com batucada de resistência.

A sinopse, escrita pelo enredista Igor Ricardo, traz um toque de realismo mágico digno de Gabriel García Márquez com pitadas de cordel místico: tem cobra sugadora de leite, almas penadas, calangos, caramujos e um pé de mulungu que serviu de mirante visionário para o pequeno Lula avistar o futuro — e talvez até os adversários políticos.

O carnavalesco Tiago Martins garante que o desfile será uma mistura de crônica operária com desfile de alegorias de esperança. Afinal, poucas coisas são mais alegóricas do que um presidente que subiu no palanque, desceu pro chão de fábrica e ainda conseguiu ser eleito três vezes.

O enredo promete também abordar os anos de chumbo da ditadura, a tragédia pessoal da viuvez e a perda da mãe, dona Lindu — talvez em uma ala coreografada entre lágrimas e confetes. Claro que não poderia faltar a marcha triunfal rumo à presidência, embalada por um coro de “olê, olê, olê, olá”.

E se engana quem acha que só Lula será reverenciado: Rita Lee, Ney Matogrosso, Carolina Maria de Jesus e até uma professora sem medo de bacalhau terão espaço na Sapucaí em 2026. Mas o desfile da Acadêmicos de Niterói promete ser o mais… governamental de todos. Um verdadeiro PAC da emoção.

Resta saber se a comissão de frente virá de macacão da CUT ou de terno do Alvorada. E se o grito final será “é campeã!” ou “é companheira!”. De qualquer forma, a esperança agora veste azul e branco — e samba no pé.

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