Cães da Polícia Civil viram pesadelo do tráfico e farejam até pensamento suspeito
Com faro infalível, agenda mais cheia que a de influencer fitness e apreensões que deixariam qualquer humano enciumado, os cães do NOC mostram que o melhor amigo do homem também é o pior inimigo do traficante
CURITIBA – Se você achava que o cachorro do vizinho que late pra sombra era impressionante, é porque ainda não conheceu Faruk, Becky e companhia — a tropa de elite de quatro patas da Polícia Civil do Paraná. Em apenas seis meses, os cães do Núcleo de Operações com Cães (NOC) ajudaram a retirar 5,7 toneladas de drogas de circulação, aplicando um golpe de R$ 61,3 milhões no tráfico. A essa altura, tem traficante pensando seriamente em investir em produtos naturais ou abrir uma tapiocaria.
A operação canina — ou seria pente-farejante? — não para. Foram 382 ações em 180 dias, média de duas por dia, sem direito a fim de semana, feriado ou ossinho de folga. Resultado: 231 pessoas presas, centenas de armas e munições apreendidas e um setor do crime que já não pode mais ouvir a palavra “au” sem entrar em pânico.
Destaque da temporada, o cão Faruk localizou 700 quilos de haxixe escondidos em um caminhão. Valor estimado: R$ 50 milhões. Para você entender a grandiosidade do feito: esse cão encontrou mais dinheiro num caminhão do que muito político honesto vê em vida. Já a Becky, verdadeira workaholic canina, farejou 2,5 quilos de skunk escondidos em um carro apreendido — e detalhe, tudo isso enquanto estava de folga. Sim, você aí mal consegue responder um e-mail fora do expediente, e a Becky tá apreendendo droga entre um cochilo e outro.
Além das drogas, os cães também localizaram 18 armas, 396 munições e R$ 335 mil em dinheiro. Provando que, quando se trata de faro, nenhum cofre é seguro e nenhum colchão é discreto o bastante.
Mas não é só de apreensão que vivem esses prodígios peludos. Neste ano, os K9s da PCPR passaram por treinamento com o Grupamento de Operações Aéreas. Agora, além de saltarem para a ação em viaturas adaptadas, também voam de helicóptero. Sim, o cachorro que antes pegava carona no banco de trás agora tem check-in aéreo. E a gente aqui, esperando a liberação do Uber Pet.
A delegada-chefe da Denarc, Ana Cristina Ferreira, orgulhosamente declarou que a parceria entre policial e cão tem se mostrado um “binômio de excelência”. Tradução: enquanto os humanos investigam, os cães resolvem. E com mais eficiência, diga-se de passagem.
Com resultados de dar inveja em muito departamento humano e uma taxa de apreensão que faria até a Receita Federal bater palmas, o NOC segue provando que, na luta contra o crime, o faro aguçado vale mais que mil denúncias anônimas. E que, às vezes, o herói que você precisa… está de coleira. 🐾💼💰
