Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Entre brinquedos infláveis, auriculoterapia e pressão arterial, vereadores prometem ouvir o povo — de preferência depois do café e antes do batom secar

CASCAVEL – Quem disse que política é coisa séria nunca participou de um evento que junta brinquedos para crianças, maquiagem, consulta jurídica e uma sessão legislativa no salão paroquial. Pois é exatamente essa a proposta do novo programa “Câmara no Bairro”, que fará sua estreia neste sábado (9), no bairro Cascavel Velho, prometendo aproximar os vereadores da população — ou ao menos das cadeiras de plástico do salão da Igreja Santa Luzia.

A iniciativa, criada pela Resolução nº 52/2025 e aprovada com pompa em maio, é uma tentativa louvável (e um tanto performática) de mostrar que os nobres edis também sabem sair do ar-condicionado do Plenário e botar o pé no barro — ainda que seja só por uma manhã. Afinal, transparência e diálogo são palavras que combinam muito bem com sombra, blush e uma massagem na cervical.

A programação começa às 8h30, com discurso do presidente da Câmara, Tiago Almeida (Republicanos), seguido pela execução do Hino Nacional pela Banda do Exército — porque nada melhor do que patriótica trilha sonora para abrir um evento de consulta popular que oferece até auriculoterapia.

Além de ouvirem as demandas do bairro (e quem sabe anotarem algumas), os vereadores estarão à disposição para atendimento pessoal. A população, enquanto espera sua vez na fila da cidadania, poderá cuidar da glicemia, passar um batonzinho, checar a pressão e, se sobrar tempo, refletir sobre as emoções com a equipe de psicologia da Univel — afinal, participar de política exige preparo físico e psicológico.

Às 10h, o auge da manhã: a Sessão Câmara no Bairro, quando a população poderá fazer perguntas diretamente aos vereadores. Sim, ao vivo, sem filtro, e provavelmente entre uma pipoca e outra da recreação infantil.

O evento promete se encerrar ao meio-dia, a tempo de todos voltarem pra casa com a autoestima elevada, a pressão aferida e, quem sabe, a sensação de que a política pode, sim, vir com um pouco de sombra nos olhos — e um leve toque de blush democrático.

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