Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

São Paulo amanheceu neste domingo (7) com a Avenida Paulista transformada em uma mistura de comício, culto religioso e final de campeonato de torcida organizada. Movimentos da direita e grupos religiosos lotaram a via para pedir anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, impeachment do ministro Alexandre de Moraes e, de quebra, prisão de Luiz Inácio Lula da Silva. Foi praticamente um cardápio completo de indignações.

O governador Tarcísio de Freitas foi o mestre de cerimônias da ala institucional e garantiu: “isso aqui só não é uma festa completa porque Bolsonaro não pode ir e vir”. Em seguida, disparou contra a esquerda, acusou o STF de construir narrativas e ainda pediu anistia geral “pra gente se livrar do PT”. A plateia vibrou como se fosse gol do Brasil em final de Copa.

O pastor Silas Malafaia, sempre com seu microfone em punho, chamou Moraes de “ditador” e reclamou que até seus cadernos de oração foram apreendidos. “Querem me censurar até com Deus”, disse, garantindo que não estava negociando com autoridades estrangeiras, embora tenha desembarcado de Portugal com cara de quem passou dos vinhos do Porto.

Para fechar o trio de ferro, Michelle Bolsonaro subiu ao palco e fez o discurso religioso-emocional, lembrando do “sofrimento” de ver o marido trancado em casa, sem poder cultuar. Os fiéis quase transformaram a Paulista em culto de avivamento, enquanto uma bandeira gigante dos Estados Unidos tremulava, reforçando o “patriotismo” made in USA.

O evento “Reaja Brasil” ainda contou com Romeu Zema, senadores e deputados, incluindo Ramagem — réu no processo do golpe de 8 de janeiro — que pediu anistia ampla, geral e irrestrita. Uma ironia digna de roteiro de série política da Netflix.

Enquanto isso, em Brasília, o desfile oficial do 7 de Setembro reuniu 45 mil pessoas e o presidente Lula, que aproveitou para chamar de “traidores da pátria” os que trabalham contra o Brasil. Do outro lado da rua (e do espectro ideológico), o Grito dos Excluídos ecoava “sem anistia” e “soberania não se negocia”.

Para temperar ainda mais o feriado, o pano de fundo é uma crise diplomática com os Estados Unidos, onde Donald Trump decidiu impor tarifas aos produtos brasileiros para pressionar a favor de Bolsonaro, transformando o 7 de Setembro de 2025 em uma espécie de novela geopolítica com final ainda em aberto.

No ringue político nacional, de um lado “tirania da toga”; do outro, “traidores da pátria”. E o povo? O povo assiste, comenta no WhatsApp e torce para que pelo menos o feriado não acabe em prorrogação.

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