Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.
Faltou gente para colocar a mão na faixa inaugural – Foto:Secom

Anote na sua agenda: 20 de setembro de 2025. O dia em que Cascavel finalmente provou que promessa de campanha pode virar realidade — mesmo que leve apenas 50 anos e algumas gerações de eleitores. A Prefeitura inaugurou a Nova Ponte do XIV de Novembro, aquela mesma que a comunidade da região Sul já não acreditava mais que existia fora dos palanques.

Foram necessários cinco décadas de suspiros, alagamentos e paciência bíblica para que motoristas, ciclistas e pedestres pudessem atravessar o Rio Quati sem precisar de canoa, snorkel ou da fé de Noé. Agora, a nova estrutura, com direito a 237.110 litros de vazão por segundo (porque 29 mil era pouco para um bairro inteiro virar aquário), promete salvar mais de 25 mil almas todos os dias.

O prefeito Renato Silva, em êxtase, afirmou: “É um dia de felicidade, claro”. Claro, prefeito, até porque ninguém aguenta cortar a fita de uma obra dessas mais de uma vez. Ele também garantiu que a ponte “vai ajudar a gerar progresso e desenvolvimento” — porque, aparentemente, ficar preso em enchente nunca foi política pública eficaz.

Mas a festa não foi pouca coisa. Teve música, comida e até lágrimas de moradores que finalmente perceberam que o sonho de atravessar o bairro sem precisar de bota de borracha virou realidade. O presidente da comunidade, Antenor Marcos Matheus, resumiu: “É a realização de um sonho”. Sim, daqueles sonhos que demoram tanto que quase viram pesadelo.

Já o secretário de Obras, Severino Folador, trouxe a parte técnica: “É uma obra para mais de 50 anos”. Vamos torcer para que não seja preciso esperar outros 50 para o próximo viaduto da BR-277 sair do papel.

E, calma, que tem mais: a prefeitura já promete segunda e terceira etapas, com duplicações, binários e um viaduto novinho. Porque se a primeira fase levou meio século, não custa acreditar que até o tricentenário de Cascavel a obra esteja completa.

Moral da história: a ponte foi entregue, os alagamentos devem acabar e a região Sul de Cascavel finalmente pode gritar: “Sobrevivemos para ver a história acontecer”. Agora é só esperar o próximo capítulo dessa saga digna de novela mexicana.

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