Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Defesa do ex-presidente argumenta que ele não tem culpa se os filhos têm rede social e dedo nervoso. Moraes analisará recurso com colegas que provavelmente já decoraram esse roteiro

BRASÍLIA — A defesa de Jair Bolsonaro decidiu, nesta quarta-feira (6), recorrer da decisão do ministro Alexandre de Moraes que mandou o ex-presidente para o “regime tornozeleira com vista para o jardim”, também conhecido como prisão domiciliar. No recurso, os advogados argumentam que Bolsonaro não tem culpa se seus filhos postam por ele. Afinal, quem nunca teve um familiar com acesso irrestrito à própria reputação?

Segundo os advogados, Bolsonaro jamais descumpriria a medida cautelar que o proíbe de usar redes sociais — próprias ou terceirizadas. As mensagens de agradecimento aos apoiadores? Só coincidência digital e um “desdobramento incontrolável”, expressão que agora concorre ao prêmio eufemismo jurídico do ano.

“Ele não controla terceiros”, diz a defesa, como quem justifica um cachorro que fugiu com a coleira, destruiu o jardim do vizinho e ainda mordeu o carteiro.

O recurso, com ares de roteiro de série cômica com clima de tribunal, será analisado inicialmente pelo próprio Moraes, que já demonstrou ter um certo apego por suas decisões. Se ele resolver dividir o suspense, o recurso pode ir para a Primeira Turma do STF — um time de ministros que, a essa altura, deve sonhar com habeas corpus em looping.

A defesa também pediu que o caso não seja tratado como decisão automática. Afinal, o RISTF (Regimento Interno do STF) não foi feito para ser seguido literalmente quando se trata de ex-presidentes em apuros — dizem, provavelmente, os advogados entre uma petição e outra.

Relembrando o capítulo anterior:
Na última segunda-feira (4), Moraes decretou a prisão domiciliar ao entender que Bolsonaro, mesmo offline, segue mais ativo nas redes sociais do que muito influenciador fitness. O motivo foi a publicação de postagens nos perfis dos filhos, como Eduardo Bolsonaro, que hoje vive nos EUA — oficialmente exilado, segundo ele; turisticamente ativo, segundo os stories.

Eduardo, que está sendo investigado por articular medidas junto ao governo Trump contra ministros do STF, foi o pivô de mais essa dor de cabeça. A cereja do bolo? O pagamento das despesas da temporada americana com… PIX do pai. Nem precisa do FBI, basta olhar o extrato.

Agora, com mais esse recurso, o enredo jurídico da família Bolsonaro promete novas emoções até setembro, quando o Supremo julgará o ex-presidente pela tentativa de golpe. Até lá, seguimos com tornozeleira, filhos em Orlando, e postagens que aparecem sozinhas — quase como assombração digital.

A única certeza? No STF, o botão de “Curtir” foi substituído por “Despachar”. E ninguém ousa colocar o ministro Moraes no modo silencioso.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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