Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Gabriel Galípolo diz que o Pix é estratégico, público e, com sorte, ainda não foi vendido no OLX. Enquanto isso, os EUA acham que o Brasil está sendo “muito eficiente” demais

RIO DE JANEIRO — Em tempos de fake news, golpes, teorias da conspiração e gente achando que o Banco Central imprime dinheiro no Word, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, resolveu fazer o óbvio: defender o Pix. Isso mesmo, aquele sistema que virou o pão de queijo da economia brasileira – simples, rápido, amado por todos e impossível de ser substituído por algo que cobre taxa.

Durante um evento sobre criptoativos (onde metade da plateia achava que o Bitcoin vai salvar o mundo e a outra metade não entendeu como declarar no Imposto de Renda), Galípolo foi direto: o Pix é nosso, é público, e ninguém vai privatizar nem que venha com proposta em dólar. “É uma segurança para o país”, disse ele, quase chamando o Pix de “patrimônio cultural imaterial da humanidade”.

Mas, como tudo que funciona no Brasil, o Pix virou alvo de narrativas mirabolantes. Tem gente achando que ele é controlado por alienígenas, outros juram que vai acabar mês que vem. E agora, para apimentar a novela, os Estados Unidos resolveram investigar o sistema. O motivo? O Pix pode estar prejudicando empresas americanas de pagamentos. Traduzindo: ele funciona bem demais, é gratuito, e isso fere o modelo de negócios onde cada centavo passa pelo pedágio do Tio Sam.

“Imaginem se o Pix fosse gerenciado por uma empresa privada… a cada atualização, ia ser como trocar plano de operadora: você paga mais, entende menos e no fim só quer seu dinheiro de volta”, ironizou Galípolo — ou pelo menos foi isso que ele quis dizer com muito mais elegância.

Enquanto o Banco Central garante que o Pix não está devorando os cartões de crédito (que continuam crescendo como mato depois da chuva), a gente segue com nossos 250 milhões de transações diárias — entre pagar o pão na padaria, quitar o aluguel do apartamento e transferir cinco reais pra aquele amigo que jura que vai devolver.

A conclusão? O Pix virou símbolo de eficiência num país onde o trem da CPTM às vezes demora mais que transferência bancária internacional. E agora, além de combater fake news, o BC precisa lidar com a paranoia internacional de que o Brasil finalmente fez algo… certo.

Então, anote aí: o Pix é nosso, ninguém tasca. E se alguém vier com gracinha, a resposta será na base do “QR Code na testa”.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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