Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Em nota digna de novela institucional, Procuradoria diz que ficou chocada com o fato de um país estrangeiro não aplaudir de pé decisões do STF. Spoiler: não é todo mundo que curte inquérito sem fim e censura preventiva

Na noite de quarta-feira (30), a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu largar a pipoca, pausar o episódio de “Inquéritos Eternos Brasil” e emitir uma nota. O motivo? O governo de Donald Trump resolveu aplicar sanções ao ministro Alexandre de Moraes — e a PGR, claro, ficou “assombrada”. Sim, “assombrada”, como se tivesse visto um fantasma… de toga.

“A Procuradoria-Geral da República recebe com assombro a notícia da imposição por Estado estrangeiro de sanção ao eminente Ministro Alexandre de Moraes”, diz o comunicado, com aquele tom grave típico de quem acha que a Constituição brasileira tem validade global.

O órgão ainda manifestou solidariedade a Moraes, ao STF, ao Judiciário, ao Estado Democrático de Direito e, provavelmente, ao cafezinho do Supremo também. “Renovamos o reconhecimento da exatidão técnica das deliberações do STF”, afirmou, como quem diz: “nunca erramos, somos impecáveis, e se discordar, está automaticamente errado”.

O motivo da confusão? A sanção dos EUA foi aplicada com base na famigerada Lei Magnitsky, usada para punir violadores de direitos humanos mundo afora. Na prática, isso significa bloqueio de contas, proibição de entrada nos EUA e, provavelmente, cancelamento do visto para o Mickey e a NBA.

E como cereja do bolo diplomático: essa já é a segunda sanção aplicada por Trump a Moraes em menos de 15 dias. A primeira foi a revogação dos vistos dele, da família e dos “aliados na Corte”. Tudo isso porque Moraes teve a ousadia de investigar Eduardo Bolsonaro e sua turminha da retaliação internacional — um grupo que, aparentemente, achava que ia brincar de política externa sem consequências.

A reação da PGR é, no mínimo, curiosa. Afinal, é sempre surpreendente descobrir que o resto do mundo não compartilha do mesmo entusiasmo por medidas polêmicas, prisões preventivas eternas e bloqueios de redes sociais sem contraditório.

Enquanto isso, Moraes segue firme no STF, com a toga impecável, o celular sem acesso ao TikTok americano e a certeza de que, ao menos aqui, ele continua blindado por notas, solidariedades e aplausos institucionais. O resto? Bem, que fique “assombrado”.

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