Sem saber ler, mas com sede de aprender: EJA avança em Cascavel com currículo, café e coragem
Município reúne professores, coordenadores e especialistas para discutir o futuro da Educação de Jovens e Adultos, enquanto 3,2% da população ainda escreve “escola” com “x”
CASCAVEL – Enquanto muitos brasileiros se esforçam para esquecer a escola, outros em Cascavel estão fazendo o caminho inverso — literalmente. Em plena segunda-feira (4), a cidade sediou um seminário de peso para discutir a Educação de Jovens e Adultos (EJA), reunindo educadores, coordenadores e aquele pessoal que ainda acha que “currículo” é coisa de quem quer emprego no SINE.
O evento, com nome que cabe num TCC — Caminhos para a Escolarização de Jovens e Adultos: Currículo e Organização do Ensino —, foi promovido pela Secretaria Municipal de Educação no Ceavel. O objetivo? Mostrar que aprender a ler e escrever não é só para quem já sabe assinar boletos.
Sete escolas municipais da cidade, além do Centro Paulo Freire (nome de peso, diga-se), estão com as portas abertas no turno da noite, para quem trocou a infância escolar por labuta, roça ou novela das oito. O currículo? Moderníssimo: conecta conteúdos escolares à realidade dos alunos. Traduzindo: aprender o que é “cidadania” enquanto se descobre que “cuscuz” não tem ‘x’.
A secretária Marcia Baldini apareceu munida de entusiasmo e material didático produzido pelo próprio município — porque em Cascavel, a educação vem com manual de instruções. Segundo ela, o seminário também serve para ensinar os professores a lidar com alunos que sabem mais da vida do que da vírgula.
Já Tchierly Juliani Bier de Oliveira, coordenadora do Pacto EJA, lembrou que o Brasil ainda tem 11 milhões de analfabetos — um número que não se resolve com memes e nem com vídeos de 15 segundos no TikTok. Em Cascavel, 3,2% da população ainda está fora da festa das letras. Mas o convite continua aberto: “Venha para a sociedade letrada, temos chocolate quente e apostilas com fonte grande.”
O seminário será encerrado com a palestra da professora Marta Sforni, da UEM, que ajudou a reestruturar o currículo da EJA. O que ela pensa dos desafios da alfabetização de adultos? Provavelmente que é mais fácil do que alfabetizar alguns políticos.
Enquanto isso, os alunos do EJA seguem firmes. Afinal, nunca é tarde para aprender, principalmente quando a alternativa é continuar achando que “EJA” é só mais uma sigla do governo.
