Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Por nossa enviada especial ao corredor das promoções, com sacola retornável e olhos atentos ao preço do arroz

Curitiba deu mais um passo rumo ao paraíso das compras conscientes e das economias no bolso: nesta sexta-feira (1º), o prefeito Eduardo Pimentel inaugurou o Armazém da Família no Mercado Regional Cajuru. A nova unidade tem 119 m² de área útil, 340 itens essenciais e uma promessa ousada: preços até 30% mais baratos que os mercados tradicionais — o que, em tempos de inflação que parece beber energético, já é um milagre digno de canonização municipal.

O prefeito, em tom messiânico, proclamou: “Estamos garantindo dignidade e promovendo segurança alimentar”. E onde? Justamente num ponto estratégico, ao lado do Terminal Capão da Imbuia, aquele lugar onde o ônibus sempre vem cheio, mas agora, pelo menos, vai com o carrinho abastecido. A ideia é tão bem pensada que o cidadão pode sair do terminal, comprar o sabão, o arroz e o café e ainda voltar para casa sem pagar outra passagem — desde que valide o cartão em até 10 minutos, porque dignidade também tem cronômetro.

A cerimônia, claro, foi um evento: música, padre abençoando o feijão e presença de vereadores em número suficiente para formar uma nova bancada da cesta básica. O secretário de Segurança Alimentar, Leverci Silveira Filho, classificou a loja como “pequena no tamanho, gigante na importância”, frase que soaria como descrição de um fusquinha 1967, mas que aqui foi dedicada ao templo do consumo consciente.

Em um gesto simbólico, a aldeia Kakané Porã recebeu um voucher de R$ 28.200. “É a cesta básica em sua versão diplomática”, diria um analista político sensível ao contexto indígena e aos carrinhos de compras. Segundo Renan de Oliveira Rodrigues, da FAS, isso mostra que a gestão municipal pensa nas pessoas — especialmente durante a frente fria, quando até os discursos esquentam.

O investimento para tudo isso? R$ 151,8 mil, valor que em supermercado tradicional não daria nem para bancar uma sessão de compras de domingo com três crianças e um carrinho desgovernado. Mas aqui, o dinheiro virou loja, cozinha, depósito e discurso. Tudo com apoio da Urbs, da Smop e da Acemerc — a tríade santa das compras populares.

E se você ainda está em dúvida sobre a importância disso tudo, saiba que o programa já atende 353 mil famílias em Curitiba. Isso mesmo: um milhão de pessoas que agora podem comprar arroz e sabonete com dignidade e, o melhor, sem precisar ouvir a musiquinha triste do caixa dizendo “cartão recusado”.

Curitiba segue firme: onde tem terminal, agora também tem arroz barato, bênção e oportunidade de economizar. Amém e boas compras.

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