Arquivo Público do Paraná completa 170 anos e comemora com exposição que prova: o passado ainda está entre nós (e empoeirado com dignidade)
Tem carta de Dom Pedro II, máscara mortuária de Zacarias, cartão telefônico e até lembrança da visita do Papa. Se nostalgia fosse patrimônio, isso aqui era o Vaticano da burocracia brasileira
Se você achava que o Arquivo Público do Paraná era só aquele prédio onde os documentos vão passar férias eternas, prepare-se para mudar de ideia — ou pelo menos para fazer uma visita guiada com emoção histórica. A instituição está completando gloriosos 170 anos e, para celebrar, abriu nesta quinta-feira (31) a exposição “Raízes Paranaenses”, com entrada gratuita e climão de museu raiz, daqueles que cheiram a papel envelhecido e orgulho institucional.
A mostra reúne manuscritos, mapas, fotos, cartas, brasões e até cartões telefônicos (sim, eles ainda existem e agora são considerados artefatos históricos). O grande destaque? Uma máscara mortuária de Zacarias de Góes e Vasconcellos, o primeiro presidente da Província do Paraná — porque nada como imortalizar alguém congelando sua cara em gesso.
A diretora Fabiane Bergmann está empolgadíssima com a chance de mostrar que guardar papel velho é, na verdade, preservar a cidadania e a identidade do povo paranaense. “É um tributo à memória coletiva”, disse, visivelmente emocionada (ou talvez apenas alérgica à poeira centenária).
Já o secretário Luizão Goulart deu aquela valorizada na importância do local: “Imaginem quantas pessoas fazem parte dessa história.” Difícil saber se ele falava dos heróis paranaenses ou dos estagiários que já se perderam no subsolo do arquivo procurando a planta de um lote de 1903.
E pra quem acha que a exposição ia ser só papel amarelado e brasões com cara de selo de cachaça, tem também:
📜 Carta de Dom Pedro II (1888) – Porque rei escreve, sim, e com letra mais bonita que muita redação de ENEM.
👑 Brasão do Paraná by Alfredo Andersen (1910) – Quando até o brasão tinha direção de arte.
📰 Primeira edição do Diário Oficial (1912) – Também conhecida como a certidão de nascimento do “publicado-se”.
📞 Coleção de cartões telefônicos – Aquele momento de vergonha alheia misturada com saudade, quando você pagava pra ouvir: “Seu saldo está esgotado.”
E claro, a cereja da memória: objetos da visita do Papa João Paulo II, porque nada como um toque divino para abençoar uma exposição com cheiro de história e naftalina.
A exposição segue até 11 de setembro, na sede do Arquivo Público, em Curitiba. Vá preparado para se emocionar, aprender e, quem sabe, encontrar a cópia da escritura do terreno da sua vó. Afinal, a história é feita por nós — e carimbada três vezes com reconhecimento de firma.
