Café com Trump: exportação brasileira leva chá de 50% e o setor acorda amargo
Enquanto suco de laranja e aviãozinho passam ilesos, o café brasileiro vai pagar dobrado pra chegar ao copo do americano sonolento. E a diplomacia, como sempre, ficou no coador
A partir do dia 6 de agosto, o café brasileiro — aquele mesmo que você jura ser o melhor do mundo e que salva manhãs mundo afora — será brindado pelos Estados Unidos com uma bela tarifa de 50%. Isso mesmo: a bebida que deveria unir nações agora virou alvo de guerra comercial. E pior: enquanto laranja, avião e até fertilizante escaparam da lista de Donald Trump, o café ficou de fora da marmita da exceção.
Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o setor cafeeiro nacional está em clima de velório com cheiro de torra média. Afinal, os EUA são os maiores clientes do nosso cafezinho, consumindo quase um quarto de tudo que exportamos. Mas com o novo imposto, talvez seja mais barato vender café em Marte do que em Miami.
“Será necessário redirecionar parte da produção para outros mercados”, sugerem os pesquisadores. Traduzindo: vão ter que empurrar café até pra quem só toma chá, suco verde ou energético sabor depressão. E tudo isso exigindo “agilidade logística e estratégia comercial”, o que é uma forma polida de dizer: “corre, gente!”
Trump, sempre sutil como um jato da FAB no meio do churrasco, sancionou ontem a ordem que aplica as tarifas. Entre os 700 produtos que escaparam da taxação, estão suco e polpa de laranja (provavelmente lobby da Flórida), minérios (porque ninguém quer ficar sem cimento), fertilizantes (pro agronegócio de lá não murchar), e aeronaves civis (afinal, ninguém mexe com a Embraer). Já o café? Levou no coador sem filtro.
O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café), claro, está correndo atrás pra tentar incluir o grão na lista dos queridinhos de Washington. Mas enquanto isso não rola, o consumidor americano que se prepare: o cappuccino vai chegar com gosto de taxa alfandegária e lágrima diplomática.
E o Brasil? Bom, vai continuar tentando vender café com sorriso no rosto, enquanto o setor torce pra diplomacia funcionar — ou pelo menos pra alguém lembrar que sem café, nem a Casa Branca funciona.
