Bolsonaristas protestam por anistia, tornozeleira cai mal no figurino e Jesus vira estrategista político
Sem Bolsonaro, sem Tarcísio, com tornozeleira, chinelo, pastor no trio elétrico e metáforas bíblicas: os fiéis do “Reaja, Brasil” tomaram as ruas em busca do impossível — ou, no mínimo, de engajamento
Enquanto parte do país tentava digerir o tarifaço de Trump ou uma feijoada de domingo, um grupo de brasileiros vestiu a camisa da seleção (a original, não a genérica da loja de artigos patrióticos) e foi às ruas pedir a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro — aquele mesmo que, atualmente, passa os fins de semana em casa, de tornozeleira eletrônica, como parte de seu novo lifestyle “recolhido, porém altivo”.
Em São Paulo, a manifestação contou com tudo que um bom evento bolsonarista tem direito: gritos contra Alexandre de Moraes, pedidos de impeachment que não vão andar e discursos inflamados no carro de som, animado pelo pastor Silas Malafaia e os deputados Nikolas Ferreira e Sóstenes Cavalcante. O governador Tarcísio de Freitas, que normalmente ensaia passos no balé político entre moderação e lealdade, alegou “agenda médica” — o que, na prática, é o novo “vou ver e te aviso”.
Já Bolsonaro, o principal interessado, não pôde participar. A tornozeleira não combina com manifestações, e a Justiça também não achou prudente liberá-lo para discursos — nem mesmo em vídeo. Restou ao exército digital adaptar-se: memes, hashtags e versículos bíblicos reinterpretados por Nikolas Ferreira, que comparou os manifestantes aos apóstolos de Jesus. Fica a dúvida: quem seria Judas na metáfora?
Enquanto isso, Michelle Bolsonaro apareceu em Belém com carisma de primeira-dama em modo campanha e o velho slogan “Brasil com Bolsonaro” reapareceu em banners, cartazes e tweets. Nos bastidores, o PL sonha em emplacar um calendário de manifestações — tipo um plano de metas, só que com patriotas, buzinas e nenhuma chance legislativa real.
Entre as pautas, estão a “anistia ampla, geral e irrestrita” (mais fácil pedir pro Papai Noel), e o impeachment de Alexandre de Moraes, que só depende do Senado… e de um milagre político. Ou dois.
Enquanto isso, o Brasil segue sua maratona — como disse Nikolas, “não é uma corrida de 100 metros”. Mas para quem insiste em correr contra o STF, a linha de chegada parece ser sempre o mesmo ponto: a praça dos desesperados.
