Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.


Pesquisa Datafolha mostra que 71% dos brasileiros acreditam na candidatura de Lula à reeleição — mesmo com 54% achando que o melhor seria ele ir pescar, de preferência com o Alckmin segurando a vara


Se dependesse da opinião pública, Lula já estaria com um pé na campanha e o outro em casa, de chinelo. Segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, 71% dos eleitores têm certeza de que o presidente vai disputar a reeleição em 2026. A outra metade (sim, a conta não fecha, mas é Brasil) acha que ele deveria desistir da ideia e, quem sabe, escrever memórias ou abrir um canal de culinária política no YouTube.

O curioso é que, mesmo com a popularidade do governo em banho-maria desde o início do ano, Lula vem retomando aos poucos o personagem clássico: o candidato. Já avisou que, se tiver saúde, vai para a oitava eleição presidencial — ou seja, está bem mais disposto que muita gente que só quer vencer a fila do INSS.

A convicção popular sobre a candidatura subiu como inflação de supermercado: de 62% em abril para 66% em julho, até chegar aos 71% agora. Enquanto isso, os que achavam que ele não seria candidato foram minguando — hoje, apenas 23% acreditam que Lula pendurará a faixa.

Mas a empolgação termina aí. A maioria dos entrevistados, 54%, acha que o melhor seria o presidente dar um passo para trás, descansar a garganta dos discursos e deixar o PT resolver a sucessão com quem ainda tem fôlego para aguentar sabatina e meme de WhatsApp.

Nesse cenário de dúvida entre “vai” e “não deveria ir”, um novo gladiador da neutralidade começa a surgir: o vice-presidente Geraldo Alckmin, aquele que já foi tucano, virou socialista e agora anda flertando com o protagonismo. Segundo a pesquisa, ele começa a ameaçar o espaço de Fernando Haddad, o ministro da Fazenda que ainda tenta convencer o país de que juros altos também têm seu charme.

Com Alckmin subindo nas apostas e Haddad tentando manter a aura de presidenciável sem parecer muito empolgado (vai que o chefe muda de ideia), o eleitorado brasileiro assiste ao enredo com a tradicional mistura de esperança, cinismo e um leve desejo de que alguém — qualquer um — só faça o arroz com feijão direito.

Enquanto isso, Lula segue firme no script: rodando o país, dando declarações recheadas de metáforas culinárias e deixando a pergunta no ar: ele vem aí… mas será que devia?

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