Câmara volta ao batente após “feriadão” do motim e tenta lembrar como se vota
Depois de 36 horas de plenário virando pista de wrestling, deputados querem discutir Imposto de Renda e provar que ainda fazem leis
Brasília, segunda-feira. Ainda com cheiro de spray de garganta e café requentado no ar, a Câmara dos Deputados tenta voltar à rotina depois do “feriadão” improvisado de 36 horas provocado pelo motim da semana passada. Na terça (12), o presidente da Casa, Hugo Motta, vai reunir líderes partidários para decidir quais serão as próximas votações — e, de quebra, ver se alguém ainda lembra onde fica o botão de “sim” e “não” no painel eletrônico.
Na lista de prioridades da base aliada está o projeto que aumenta a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, dá um desconto tímido para salários de até R$ 7 mil e aperta o cerco para quem recebe mais de R$ 600 mil. Em resumo: agrada a maioria, incomoda uns poucos e garante horas de discursos inflamados para o YouTube.
A proposta poderia ter sido votada na semana passada, mas o plenário estava ocupado por parlamentares oposicionistas, que transformaram a Mesa Diretora em palco de protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e pediram anistia para condenados do 8 de janeiro — ou, como ficou conhecido, o “ato patriótico da bagunça generalizada”.
Hugo Motta, porém, fez questão de frisar que não houve barganha para liberar a Casa: “A presidência da Câmara é inegociável”, disse, com a convicção de quem não troca prerrogativas nem por promessa de churrasco na laje.
Enquanto isso, as imagens do empurra-empurra parlamentar estão nas mãos do corregedor Diego Coronel, que deve entregar o parecer na quarta (13). Até lá, o país segue dividido entre dois mistérios: quem vai pagar mais IR e quem será o campeão brasileiro de cotoveladas no plenário.
