Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Município usa tecnologia, denúncias e olho clínico nas redes sociais para combater o velho hábito do “vende-se um pedacinho do paraíso sem escritura, sem luz, sem vergonha”

CASCAVEL – Se tem algo que cresce mais rápido que mato em terreno baldio é loteamento irregular em área rural. E Cascavel resolveu dizer “basta!”. A prefeitura, por meio do Instituto de Planejamento de Cascavel (IPC), saiu a campo com a Comissão de Monitoramento de Parcelamento de Solo Irregular e já mapeou mais de 100 áreas com aquele jeitinho suspeito de “vamos dividir a chácara do vô em 47 terrenos e chamar de condomínio”.

Desde o início da cruzada contra a grilagem gourmet, 57 áreas já foram formalmente notificadas e 32 embargadas, com direito a multas que fariam até o especulador mais raiz repensar o negócio. Mas calma, ninguém sai multado de primeira: o proprietário é notificado e tem o direito de se defender. Justiça climática e urbanística para todos.

Segundo o presidente do IPC, Vinicius Boza, o trabalho de Sherlock Holmes urbano é feito com base em denúncias da população, monitoramento técnico e, claro, aquela conferidinha básica no Facebook e no Instagram. Porque, sim, tem gente vendendo lote irregular com stories, filtro e “entrada facilitada”.

“Nossa missão é proteger o cidadão de comprar um terreno no meio do nada, com promessa de vista para o pôr do sol e realidade de vista para o processo judicial”, disse Boza, provavelmente segurando uma lupa e um Código Civil.

A intensificação das ações atende também a um ofício do Ministério Público do Paraná, que anda preocupado com esse surto de “empreendedores da roça digital”. O Gaema, braço ambiental e urbanístico do MP, quer ordem no barraco – ou melhor, no lote.

E o alerta é sério: terrenos irregulares podem te deixar sem água, sem luz, sem escritura e com a emocionante possibilidade de perder tudo por decisão judicial. A recomendação é clara: antes de comprar, consulte o IPC ou vá direto ao cartório e pergunte pela matrícula individual do terreno. Se o vendedor começar a enrolar e falar que “a documentação está pra sair”, corra – mas na direção oposta.

Para denúncias, o cidadão pode ligar no 156, nos telefones do IPC ou aparecer pessoalmente. Afinal, se é para construir sonho, que seja em solo firme — e, de preferência, regularizado.

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