Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Homem paga pizza com notas de jato de tinta e papel sulfite, diz que era Uber, mas esqueceu de combinar os álibis. Juiz não engoliu nem a borda recheada

NOVA ESPERANÇA (PR) — O que era pra ser só mais uma noite de fome e Netflix virou caso de polícia, processo judicial e, agora, condenação em regime fechado. A 3.ª Vara Federal de Maringá sentenciou um morador de Nova Esperança a cinco anos e três meses de prisão por pagar uma pizza de R$ 65 com cinco cédulas falsas de “boa qualidade” — ou, como diria a perícia, papel sulfite premium com impressão jato de tinta.

O crime, digno de roteiro de série B, ocorreu em 29 de abril de 2022. Segundo o Ministério Público Federal, o agora condenado, de 34 anos, escolheu um local escuro para receber a entrega, bloqueou o número da pizzaria assim que o entregador foi embora, e desapareceu com a pizza e o troco. Sim, o golpe incluía o troco.

A pizza fria, o golpe quente

As notas, apesar de serem claramente falsas (segundo o Banco Central, e também qualquer um que já tenha tocado numa de verdade), eram boas o suficiente para enganar no escuro. A perícia concluiu que a qualidade era “acima da média” para esse tipo de golpe — o que levanta a dúvida: quem investe tanto pra não pagar uma pizza?

O réu, em sua defesa, alegou ter recebido as cédulas como pagamento de corridas de Uber. Só esqueceu de um detalhe: não comprovou que estava dirigindo naquele dia. Também não explicou por que pediu a pizza para um endereço de terceiro e ignorou solenemente os retornos do restaurante. Faltou roteiro, coerência e, claro, recibo de corrida.

Reincidência e criatividade

O homem já tem no currículo criminal passagens por estelionato e roubo. A Justiça, que não costuma perdoar ficha corrida, foi clara: não há o que excluir da culpabilidade, exceto, talvez, o senso de ridículo. O juiz Herrerias não teve pena nem da pizza. “A condenação é medida que se impõe”, declarou, provavelmente com a caixa de pizza ainda sobre a mesa de audiência.

Além da prisão, o réu foi condenado a pagar multa e ressarcir o valor da pizza à pizzaria — que, convenhamos, não esperava virar personagem secundária em um episódio de “Crimes Improváveis”.

As notas serão encaminhadas ao Banco Central, onde terão um destino digno: serão catalogadas e destruídas, como um hit de verão que não pegou.


🍕💸 Cinco notas falsas, uma pizza fria, um troco inexistente e cinco anos de reclusão. Moral da história: se for pedir delivery, pague no Pix. A não ser que esteja disposto a comer marguerita com acompanhamento de processo penal.

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