Verdade Duvidosa

Fake News, mas nem tanto.

Rapper segue preso após audiência de custódia e agora fará parte da “coletânea ao vivo” do sistema penitenciário carioca. Nada de feat, só cela coletiva mesmo

RIO – O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam e judicialmente como “réu”, teve um novo episódio da sua tour judicial nesta segunda-feira (4). Em audiência de custódia, a juíza Laura Noal Garcia confirmou: o mandado de prisão está tinindo de válido, e o artista continuará no camarim mais fechado do Rio — o Presídio Bangu 3.

E tem upgrade: nada de suíte VIP ou cela privativa com vista para o pátio. Oruam agora vai compor seu novo álbum atrás das grades, lado a lado com integrantes do Comando Vermelho. É o famoso feat forçado.

A Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) informou que o cantor será realocado para uma galeria já ocupada pela facção, o que pode até render um novo projeto: “Presos Unidos Volume 1”.

A trajetória que levou Oruam do estúdio para o xilindró começou em 22 de julho, quando o rapper decidiu, num gesto de roteiro mal escrito, se entregar à Polícia Civil. Tudo isso depois de ser acusado de lançar pedras — não no streaming, mas nos próprios policiais civis — quando tentavam cumprir um mandado contra um adolescente em sua casa no Joá. O adolescente fugiu, as pedras voaram e a carreira de Oruam desandou mais que remix de forró com trap.

A Justiça do Rio não apenas manteve a prisão como ainda deu um upgrade nas acusações: tentativa de homicídio qualificada, associação ao tráfico, tráfico, resistência, desacato, ameaça, dano, lesão corporal e, talvez, mau gosto nas decisões de vida.

Segundo o Ministério Público, as pedras arremessadas variavam de 130g a 4,85kg — ou seja, uma verdadeira linha de produção de lajotas voadoras. O ataque foi feito de uma altura de 4,5 metros, o que fez o MP entender que não era um protesto artístico, e sim uma tentativa real de homicídio. Isso tudo ainda temperado com uma pitada de marketing duvidoso, já que Oruam teria gritado ser filho de Marcinho VP, numa tentativa criativa (e desastrosa) de intimidação policial.

Por enquanto, o ex-rapper-livre segue aguardando o próximo capítulo, agora entre grades e grades musicais. E, se depender do ritmo da Justiça, Oruam vai ter tempo de sobra pra compor… ou pelo menos refletir se não era melhor ter jogado só palavras — e não pedras.

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