Trump declara Brasil ameaça à segurança dos EUA e coloca Lula no mesmo grupo de vilões que o Irã e Darth Vader
Ordem Executiva assinada por Trump trata o Brasil como se fosse a próxima ameaça intergaláctica à democracia americana. Tudo por causa de… Jair Bolsonaro
WASHINGTON — Em mais um capítulo da saga “Trump Contra o Mundo (e o bom senso)”, o presidente dos Estados Unidos assinou nesta quarta-feira (30) uma Ordem Executiva declarando o Brasil uma ameaça “incomum e extraordinária” à segurança nacional norte-americana. Sim, você leu certo: o país do samba, da coxinha e da confusão institucional foi colocado no mesmo patamar de risco que Cuba, Venezuela, Irã e possivelmente Krypton.
A medida eleva em 40% as tarifas sobre produtos brasileiros, que já estavam sob um castigo prévio de 10%, totalizando 50% de puro amor tarifário. Segundo a Casa Branca, isso seria uma resposta às “ações imprudentes” do governo Lula, que — pasmem — ousou processar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentar cancelar a eleição de 2022 com um Ctrl+Alt+Del democrático.
“É uma emergência nacional!”, diz o comunicado emitido por Trump, possivelmente redigido enquanto ele assistia à CNN em looping e tomava seu terceiro energético. A nota acusa o Brasil de perseguir Bolsonaro, censurar redes sociais, ameaçar empresas americanas e, quem sabe, esconder armas de destruição em massa em churrascarias.
Da Lava Jato à Guerra Fria, tudo em três parágrafos
Aparentemente inspirado por roteiros de filmes dos anos 80, o presidente americano afirma que o Brasil se tornou uma potência perigosa para os EUA por… respeitar sua Constituição. A Casa Branca acredita que o julgamento de Bolsonaro e o bloqueio de redes sociais — como a Truth Social (que ninguém usa nem nos EUA) — são formas autoritárias de governo.
A ironia? Trump acusa o governo Lula de coagir empresas americanas a seguirem leis brasileiras. Isso mesmo. O problema, segundo o magnata, é o Brasil ter o atrevimento de exigir que empresas com atuação no país tenham… representantes legais. Um verdadeiro atentado ao modo americano de ignorar as leis alheias.
Entre a soja e a revolução bolivariana
Enquanto a soja chora e o suco de laranja amarga, Lula respondeu com sua conhecida serenidade de barbudão experiente: “Não vamos chorar o leite derramado. Se não querem comprar, a gente vende pra quem quiser. E quem pagar mais”. O presidente brasileiro reiterou que não aceita entrar em Guerra Fria nenhuma e que não vai fazer pirraça no parquinho geopolítico.
A China, por sua vez, já mandou aquele famoso “conte conosco, Brasil” — enquanto possivelmente ria discretamente com um copo de caipirinha na mão e um contrato de importação no outro.
Democracia? Sim. Mas com moderação.
Enquanto Trump chora a prisão de seus amigos e Bolsonaro ensaia virar mártir político do hemisfério norte, especialistas lembram: no Brasil, liberdade de expressão não é vale-tudo. Pedir golpe, espalhar fake news ou defender nazismo não é liberdade: é crime mesmo. E sim, redes sociais podem e devem cumprir a lei, inclusive quando seus CEOs acham que estão acima dela porque têm um foguete ou uma plataforma decadente.
No fim das contas, o Brasil pode até ser uma ameaça — mas só ao estoque de picanha dos churrascos da Flórida. Porque se depender de Lula, o único golpe em curso é no fígado dos exportadores brasileiros, que já procuram novos compradores. E com 50% de tarifa, Trump talvez precise vender até os móveis da Casa Branca se quiser continuar comendo castanha de caju.
